O Cinema em Naupati

P: Neste momento, existe na França a questão do novo cinema, a ausência de roteiro, a fotografia cinza, os atores que atuam falso. Entre os jovens diretores, você faz uma obra pessoal, mas muito profissional. Que é que você acha disso?


R: Os outros são amadores. É como acontece com os escritores. Às vezes, não são capazes de construir uma frase e, entretanto, são interessantes de ler. Se uma garotinha de 13 anos descreve suas aventuras com um cafajeste, vai ser interessante, mesmo que seu estilo seja deplorável. Mas no cinema, não acontece como num quadro primitivo, que é sempre tocante: os filmes de amadores são frequentemente muito pretensiosos. Mesmo os jovens diretores que chegam a ter a técnica suficiente para fazer um filme correto não acham que é o bastante contar o que eles têm a dizer. Eles precisam chocar-nos, e realizam truques impossíveis para mostrar que são diferentes dos outros, eles picam o filme, tremem a câmera, trucam o som. Para que tudo isso? Todos sabem que se pode fazer tudo no cinema. Ser simples é que é difícil; quanto mais se é simples, mais se é, ao mesmo tempo, complexo, mas de forma profunda, não superficial.

Roman Polanski, em entrevista a Michel Ciment no livro Hollywood (ed. Brasiliense, 1987), claramente falando sobre a nouvelle vague.

blog comments powered by Disqus