
(Estranhos, Paulo Alcântara, Bahia - Brasil, 2010)
Pude conferir na última terça-feira a premiere de Estranhos, no cine Glauber Rocha - Unibanco, em Salvador. Já sabia do filme de ouvir falar, pois, além de conhecer o diretor, sempre se ouve muito sobre os poucos longas que a Bahia põe no circuito a cada ano. Assim, bom ou ruim, Estranhos já seria de qualquer forma um motivo a se comemorar.

Nelito Reis como “Geraldão”
Surpreendeu a qualidade da produção, que supera as dificuldades inerentes a um longa de estréia para entregar um drama denso e bem tramado. Na coletiva, ao ser perguntado a respeito das referências que utilizou e encontrou no filme, o diretor respondeu com segurança e definiu o cerne da questão: ainda que empregue elementos encontrados na cinematografia de Iñarritu (21 Gramas, Babel) e traga ecos de Robert Altman (e por tabela de seu admirador Paul Thomas Anderson), Estranhos é dotado de estilo próprio - a nosso ver aferível na humanidade do trato com os personagens e na beleza mesma das imagens, produzindo momentos de grande lirismo. Tanto melhor: o recurso à multitrama ganha em Estranhos a autenticidade que o próprio cineasta mexicano deixou de lado desde sua partida para hollywood.
Com este filme Paulo Alcântara se apresenta como a mais contundente promessa do jovem cinema baiano, primeira revelação de uma década que já termina, cujos êxitos em longa-metragem partiram sempre de diretores experientes e reconhecidos, a saber: Edgard Navarro (Eu Me Lembro) e Fernando Belens (Pau Brasil). Merece nota também o roteiro de Carla Guimarães, que, ainda que permeado de irregularidades, é muito bem sucedido em sua abordagem da multitrama e no uso das estratégias de suspense. O elenco também brilha, tendo como ponto alto a improvável subtrama amorosa dos bandidos Geraldão (Nelito Reis) e Tonho (Ângelo Flávio).

Mariana Muniz (como “Flor”) e Caco Monteiro (como “Valmir”)
Quero dar parabéns à toda equipe e elenco pelo sucesso incontestável, bem como à assessoria de impresa pela atenção que teve a todos os veículos (como já sinalizou o cinepipoca). Infelizmente não tenho como entregar hoje a crítica completa, mas quis publicar este texto no calor do momento, à guisa de comentário. Por enquanto, quem quiser maiores informações pode (e deve) visitar o supracitado blog da Amanda.